Justiça

Joesley intercedeu por Guido para evitar CPI do CARF

Relator da CPI ainda usou contato com empresário para pedir votos contra o impeachment de Dilma
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Em depoimento aos procuradores da República no âmbito da Lava Jato, Joesley Batista afirma que, a pedido de Guido Mantega, intercedeu pelo ex-ministro da Fazenda para evitar a convocação dele para depor na CPI do Carf, que investigou compra de votos no tribunal administrativo e venda de medidas provisórias sobre matéria tributária.

Não fica claro no depoimento se houve pagamento de propina para esse fim. Mas Batista confirma que o relator da CPI na Câmara, deputado João Bacelar (PR-BA), atende ao pedido prontamente.

“Com a intenção de atender ao máximo o interesse de GM [Guido Mantega], o depoente [Batista] promoveu um encontro entre Bacelar e GM, o qual ocorreu num carro dirigido pelo depoente. Que durante o encontro, Bacelar entregou a GM um documento tido como confidencial, para provar a eficácia de suas ações em sua defesa”, afirma Joesley Batista, no acordo de delação premiada.

Em decorrência das investigações da Operação Zelotes da Polícia Federal, o Senado e a Câmara dos Deputados instauraram comissão parlamentar de inquérito para investigar as denúncias de compras de voto e manipulação de julgamentos no Carf e de medidas provisórias que beneficiaram montadoras, durante o governo Lula.

Na Câmara, a CPI foi instaurada em fevereiro de 2016 e terminou sem sequer ter sido lido o relatório final. Mantega deixou o Ministério da Fazenda ainda em 2014.

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Impeachment 

O parlamentar utiliza então o contato com o dono do frigorífico JBS para pedir a Batista a compra de 30 deputados em troca de voto favorável à ex-presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment. Batista dá autorização para compra de cinco deputados federais. Cada um teria recebido R$ 3 milhões para votar a favor de Dilma.

Batista disse aos procuradores não se recordar dos nomes dos deputados comprados. A ultima parcela do pagamento total de R$ 15 milhões foi pago em marco deste ano.

“Nos dias seguintes ao da votação do impeachment, Bacelar trouxe ao depoente [Batista] a dívida de 15 milhões de reais, de 5 deputados que haviam, em tese, votado contra o lmpeachment de Dilma; QUE dos 15 milhões, o depoente já pagou 3.5 milhões, sendo que os últimos 500 mil reais foram pagos na sua casa, em março de 17”, diz Batista no depoimento.

O JOTA tenta contato com a assessoria de Guido Mantega e João Bacelar.

Leia na íntegra:

Indagado acerca dos fatos constantes do ANEXO DENOMINADO “JOÃO BACELAR”.

afirmou JOESLEY BATISTA:

QUE em encontro com o depoente, Guido Mantega lhe solicitou que exercesse influência para evitar sua convocação para depor na CPI do CARF;

QUE em conversas entre o depoente e o então Ministro dos Transportes António Carlos, que ocorreu na sede do Ministério dos Transportes em Brasília DF, o depoente perguntou a AC se ele sabia algo em relação a CPI do CARF;

QUE AC informou ao depoente que o Relator era o Deputado Joao Bacelar, correligionário do seu partido PR;

QUE AC ligou prontamente para Joao Bacelar, indicando que 9 depoente entraria em contato para tratar de interesses comuns;

QUE o depoente marcou encontro com Joao Bacelar, oportunidade em que o conheceu e explicou a situação de seu amigo Guido Mantega;

QUE João Bacelar prontamente se colocou à disposição para defender os interesses do ex-ministro;

QUE com a intenção de atender ao máximo o interesse de GM, o depoente promoveu um encontro entre Bacelar e GM, o qual ocorreu num carro dirigido pelo depoente;

QUE durante o encontro, Bacelar entregou a GM um documento tido como confidencial, para provar a eficácia de suas ações em sua defesa;

QUE após esse evento, Bacelar passou a ter algumas interações, sempre na posição de defesa de Dilma no Processo de Impeachment;

QUE essas interações culminaram com uma surpreendente aparição de Bacelar na residência do depoente em São Paulo, às 22h30 do sábado anterior ao da votação do Impeachment, dizendo ter conseguido o endereço com Antônio Carlos;

QUE o Deputado Bacelar desculpou-se, dizendo que ligou incansavelmente durante todo o dia, e ao não conseguir falar, decidiu pegar um avião privado, para a missão de convencer JB a comprar alguns deputados para votar em favor da Presidente Dilma;

QUE Bacelar apresentou, então, ao depoente, uma lista de não menos do que 30 Deputados dispostos a votar em favor de Dilma, em troca do pagamento de propina solicitada de até 5 milhões de reais para cada qual;

QUE o depoente autorizou a compra de até 5 Deputados Federais, ao custo máximo de 3 milhões cada qual, sendo que JB arcaria com tal • dispêndio;

QUE a lista dos deputados comprados deveria ser apresentada por Bacelar ao depoente para a comprovação da votação e respectivo débito de propina;

QUE nos dias seguintes ao da votação do Impeachment, Bacelar trouxe ao depoente a dívida de 15 milhões de reais, de 5 deputados que haviam, em tese, votado contra o lmpeachment de Dilma;

QUE o depoente não se recorda quem eram os Deputados;

QUE dos 15 milhões, o depoente já pagou 3.5 milhões, sendo que os últimos 500 mil reais foram pagos na sua casa, em março de 17.

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Bárbara Pombo - São Paulo

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