Jazz

Henry Threadgill leva o top CDs de 2016 da JazzTimes

Primeiro lugar foi conquistado por disco que não estaria entres os melhores em lista de ouvintes
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O primeiro lugar na lista dos 40 “Top CDs” de 2016 da JazzTimes, resultante de votação dos críticos e principais colaboradores da referencial revista, foi conquistado por um disco que certamente não constará de nenhuma lista dos “melhores do ano” tendo como eleitores os ouvintes mais sintonizados com a mainstream do jazz.

O álbum preferido dos experts foi Old Locks and Irregular Verbs (Pi Records), uma suíte de quatro partes de mais de 45 minutos, composta e “conduzida” por Henry Threadgill, à frente de um septeto com dois saxofones (Roman Filiu e Curtis Macdonald), dois pianos (Jason Moran e David Virelles), violoncelo (Christopher Hoffman), tuba (José Davila) e bateria (Craig Weinrib).

Henry Threadgill, 72 anos, é um dos remanescentes da Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM) – o grupo de músicos que, sob a liderança inicial de Muhal Richard Abrams (ainda vivo aos 86 anos) promoveu o jazz de vanguarda em Chicago, a partir da segunda metade da década de 1960. Foi da AACM que emergiu o célebre quinteto free Art Ensemble of Chicago, cujo lema era: “Great black music: Ancient to the future”.

Em abril deste ano que chega ao fim, Henry Threadgill foi agraciado com o Prêmio Pulitzer da Música, por conta do álbum In for a Penny, In for a Pound (Pi Records), do seu quinteto Zooid. A obra foi considerada pelo júri “altamente original”, por “mesclar música escrita e improvisação numa tapeçaria sônica que parece a própria expressão da vida moderna americana”. E vale lembrar que, do planeta jazz, apenas Gunther Schuller, em 1994, tinha conquistado um Pulitzer, passando a figurar no Olimpo da música erudita americana, ao lado de compositores do quilate de Aaron Copland, Charles Ives e Samuel Barber (premiados em 1945, 1947 e 1958, respectivamente).

Old Locks and Inrregular Verbs é um tributo de Threadgill ao saudoso Lawrence “Butch” Morris (1947-2013), que era cornetista, mas se tornou uma das grandes expressões da vanguarda jazzística dos anos 80/90 como “conductor” – uma espécie de maestro que intervem no desenvolvimento sônico e harmônico de suas composições e nos próprios “espaços” destinados à improvisação (individual ou coletiva).

Mas voltando aos “Top CDs” da revista JazzTimes, o segundo e o terceiro da lista dos críticos foram: In Movement (ECM), um registro em trio bem original de Jack DeJohnette (bateria, percussão eletrônica e piano), com Ravi Coltrane (saxes tenor e soprano) e Matthew Garrison (baixo elétrico); Americana: Musings on Jazz and Blues (Savant), do trio do saxofonista tenor JD Allen, com o baterista Rudy Royston e o baixista Gregg August (Comentado nesta coluna em 27/6/2016).

(Um excerto da “Parte 3” de Old Locks… pode ser ouvida em:

https://henrythreadgill.bandcamp.com/album/old-locks-and-irregular-verbs)

(Ouça Serpentine fire do CD In Movement em: www.youtube.com/watch?v=PGImDig88sU)

(Ouça a faixa-título do CD Americana,de JD Allen, em: soundcloud.com/highnote-savant-records/06-americana)

***Texto publicado originalmente pelo site do Jornal do Brasil

Luiz Orlando Carneiro - De Brasília

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