Carreira

5 passos para assumir o controle de sua vida financeira

Nada ganha do tempo quando o assunto é juros compostos. Aproveite a juventude e invista desde já
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Prazos estourando, horas debitáveis (ou não), visita ao cliente, proposta, expectativa de agradar sempre a freguesia (e a chefia). É, a vida de jovens profissionais do Direito não é fácil. São muitas as prioridades, responsabilidades e aspirações de um lado a outro — e a maioria das decisões possui viés financeiro.

Pensando na carreira, são inúmeras as alternativas: abrir um escritório (e viver na pele os perrengues financeiros do novo empreendimento), prestar concurso (e abdicar da renda por alguns anos), dedicar-se à vida acadêmica (e abdicar mais ainda da renda por muitos anos), associar-se a um grande escritório, ser advogado de uma empresa… Todas elas com impacto em nossas carteiras.

Sem falar nas decisões do dia-a-dia: compras, viagens, jantares em restaurantes legais, aquele bar de sexta, quitar dívidas, pagar uma pós, investir, alugar ou comprar um canto para chamar de seu… ufa! Este tema é tão arraigado em nossas vidas que tomar decisões sobre isso todo o tempo pode ser cansativo. O que fazer, então?

Uma das opções é fugir do assunto. Muita gente prefere ignorar os impactos que decisões financeiras erradas podem trazer para sua vida, seja por falta de educação financeira ou más experiências ligadas a dinheiro. Independentemente do motivo, quem opta por não falar de e aprender sobre grana infelizmente paga – e caro.

A boa notícia é que não precisa ser assim. Você pode curtir sua vida hoje e se preparar para o futuro ao mesmo tempo. Este texto mostra cinco passos que você precisa tomar para alinhar seu dinheiro com o que realmente lhe importa e colocar sua vida financeira nos trilhos que levam aos seus objetivos.

Aprendi a lição a duras penas em meus anos de jovem advogado e sinto que é hora de compartilhá-la. Antes, um aviso: não se trata de um processo instantâneo, que pode envolver mudanças de hábito e dificuldades, mas cujo resultado com certeza valerá a pena lá na frente. Vamos a eles!

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1-) Por que dinheiro me importa?
Sem saber o motivo pelo qual algo te importa, mudar qualquer tipo de comportamento relacionado é muito difícil. Saber seu “porquê” é o maior fator de motivação para a mudança (essa palestra do Prof. Simon Sinek no TED é ótima para quem quiser saber mais), e este conceito se aplica também à sua relação com o dinheiro.

Pergunte-se: Quais são seus valores para a vida? Quais as coisas que você quer fazer, comprar, experimentar? Quem são as pessoas que você quer ao seu lado? Quais são as coisas que você não faria nunca? Um exercício interessante é tentar visualizar quais são as coisas que você faria se dinheiro não fosse um problema. Você pode se surpreender com as respostas!

2-) Como eu gasto meu dinheiro?
A segunda parte é saber como você atualmente se encontra em relação a suas finanças. Sim, é preciso falar sobre isso. Para alterar um comportamento, você primeiro precisa ter consciência do estágio atual, saber exatamente quais são os presentes hábitos e seus gatilhos. Para fazer isso, comece a anotar tudo que você gasta por duas semanas a um mês (se escapar alguma coisinha, tudo bem. O que importa é a consciência e não a perfeição), usando o método que lhe for mais agradável. Não sai do celular? Use um app de notas ou use “ContaAzul”, “Meu Dinheiro” ou outro app parecido. Gosta do velho papel e caneta? Carregue um caderninho. Só anote. Depois de um tempo, você verá padrões emergirem.

3-) Comparar o passo 1 com o passo 2
Faça a comparação entre seus valores e onde você gasta seu dinheiro. Eles estão alinhados e você se sentiu feliz? Ou uma coisa não tem nada a ver com a outra?

Esta parte pode ser difícil. O objetivo não é fazer você se sentir mal, mas jogar um holofote na realidade. Alinhar valores às ações do dia-a-dia é às vezes complicado e amargo para quem jamais viveu dessa forma. Sei que são muitas as forças que lutam contra isso – bombardeios do “melhor ângulo” das pessoas nas redes sociais e produtos à venda em cada um desses flashes; influência de pais, amigos e inimigos para fazermos o que não queremos para a nossa vida e, consequentemente, para o nosso dinheiro.

Apesar de difícil, este é o passo mais importante. É esta imagem que vai mostrar com o que você realmente se importa e vai te dar o guia do que você precisa mudar, sem nenhuma imposição de terceiros. Sair com os amigos é algo que você dá valor mais que o carro do ano ou a roupa da moda? Gaste com o que te deixa feliz e seja feliz, independentemente do que os outros acham. Viva o seu sonho com o seu suado dinheirinho!

4-) Estabeleça metas ligadas a seus valores
Agora que você sabe o que você quer e onde precisa mudar, estabeleça e formalize seus objetivos financeiros. Estabeleça metas e limites alinhados aos seus valores, que permitam realizar seus objetivos de longo prazo (viagem, mestrado, mudança de carreira, aposentadoria, aquele apê) ao mesmo tempo em que curte a jornada. As renúncias deixam de ser sacrifícios e passam a significar sua caminhada em direção aos seus sonhos, o que torna a mudança de hábitos muito mais fácil e prazerosa! Esqueça também o que já foi – você tem o poder de decidir como será o futuro e as opções certas serão sempre aquelas que te colocarem mais próximo de seus valores.

5-) Aproveite o tempo!
João, 20 anos, quer juntar um milhão de reais até os 50 anos para poder viver das rendas de seu patrimônio. Se ele começar hoje a juntar R$ 500,00, a uma taxa de 0,8% ao mês, conseguirá chegar ao seu objetivo; agora, se esperar até os 30 anos para começar a poupar, terá de investir R$ 1.440,00 para chegar ao mesmo objetivo.

O exemplo acima mostra que o tempo é o melhor aliado no crescimento dos investimentos. Aproveite a juventude e invista desde já para os planos de longo prazo. Nada ganha do tempo quando o assunto é juros compostos – não é quanto você guarda nem a taxa de retorno que você ganha.

Comece hoje mesmo, com o que puder investir. Se preocupe com a disciplina de poupar todos os meses e verá que os resultados serão surpreendentes!

E então? Topa encarar o desafio de seguir estes cinco passos? Me conte suas experiências!

Alexi Atchabahian - Advogado em Direito Empresarial e apaixonado por Finanças Pessoais

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