Advocacia

Pinheiro Neto aposta em mercado de capitais em 2017

Sócio-gestor Alexandre Bertoldi também acredita na valorização da área de project finance
Alexandre Bertoldi, sócio-gestor do escritório Pinheiro Neto Divulgação
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Ao longo desta e da próxima semana, o JOTA publica uma série de matérias sobre o balanço dos escritórios em 2016 e as expectativas para 2017.

No ano passado, as áreas relacionadas a compliance e reestruturação de empresas foram as que se deram melhor, na visão de Alexandre Bertoldi, sócio-gestor do escritório Pinheiro Neto.

Uma das apostas para 2017 é o “reaquecimento do mercado de capitais”, que permaneceu travado no passado, assim como a valorização da área de Project Finance.

“Com o crescente aumento do número de recuperações judiciais, obter dinheiro em bancos para viabilizar os planos pode custar muito caro. O mercado de capitais pode ser uma saída viável e mais acessível”, diz.

Além disso, Bertoldi acredita que questões de infraestrutura podem ganhar “novo fôlego com a sinalização por parte do governo federal de um robusto pacote de concessões e privatizações”.

Leia as respostas de Alexandre Bertoldi, sócio-gestor do escritório Pinheiro Neto, sobre o balanço de 2016:

Quais áreas registraram crescimento e garantiram faturamento em 2016?
Novamente, este foi um bom ano nas áreas relacionadas a compliance (que abrange investigações auditoria, controles internos; FCPA, etc.) e reestruturação de empresas. Nossa área ambiental cresceu de maneira surpreendente.  

Quais áreas tiveram retração em 2016?
A área de mercado de capitais seguiu travada. Mas apostamos que o cenário pode mudar a partir de 2017. Tanto que elegemos um novo sócio focado para ela. Com o crescente aumento do número de recuperações judiciais, obter dinheiro em bancos para viabilizar os planos pode custar muito caro. O mercado de capitais pode ser uma saída viável e mais acessível. Também tivemos um ano menos movimentado na área de fusões e aquisições.

Os movimentos surpreenderam o escritório ou os avanços e recuos eram esperados nestas áreas?
Este não foi um ano de surpresas para nós.

Quais as grandes vitórias da banca em 2016? E quais as derrotas mais sentidas?
Em um ano planejado com perspectivas pessimistas fomos capazes de crescer. Alguns times tiveram aumento substancial tanto em trabalho quanto em equipe. Também pudemos eleger novos sócios para o ano que começa – cinco precisamente – mantendo nossa tradição de sempre abrir espaço para os advogados mais jovens.

Qual a maior frustração de 2016?
Imaginamos que 2016 seria marcado pelo fim de certas indefinições políticas que impactavam demasiadamente a economia nacional. Mas com a sequência da operação Lava Jato, independente da conclusão do processo de impedimento movido contra Dilma Rousseff, o país ainda enfrenta dificuldade em ganhar tração para percorrer um caminho favorável – mesmo que numa velocidade limitada.  

O escritório aposta em quais áreas para crescer em 2017?
Seguimos apostando no crescimento da área de compliance e na manutenção do ritmo de trabalho da área de recuperação judicial. Acreditamos, também, que questões de infraestrutura podem ganhar novo fôlego com a sinalização por parte do governo federal de um robusto pacote de concessões e privatizações.  

Quais as perspectivas para o mercado de advocacia para 2017 em um contexto de tanta instabilidade política e econômica?
Escritórios grandes e consolidados tendem a manter um bom volume de trabalho. Por outro lado, escritórios menores podem sofrer mais no atual cenário. Atuando num mercado tão volátil os clientes procuram segurança em estruturas sólidas e tradicionais.

A atuação da Justiça em relação a companhias, como visto na Lava Jato e na Zelotes, abre espaço para um trabalho diferenciado do advogado?
Cremos numa advocacia estratégica e alinhada ao negócio, mas sobretudo pautada em uma conduta ética. Esse sempre foi nosso diferencial. E nesse cenário a valorização que as empresas têm dado à observância às regras de compliance fez crescer a procura por um trabalho que é calcado, principalmente, na capacitação técnica, mas sem prometer resultados ou o uso de influências indevidas. O que é um ótimo sinal.

Qual as perspectivas do escritório sobre o Judiciário em 2017?
Infelizmente vemos um cenário ainda conturbado no próximo ano, sem grandes reformas estruturais e com o possível acirramento nas disputas com Executivo e Legislativo.

Se 2016 foi o ano da lei anticorrupção, que lei será o destaque no ano que vem?
Imaginamos que, finalmente, começaremos a ver o reaquecimento do nosso mercado de capitais, bem como a valorização da área de project finance.

Raio-x do escritório

Crescimento: 10% aproximadamente
Número de Sócios: 86 em dezembro de 2015; 91 a partir de 1º de janeiro de 2017
Número de Advogados: 410 (incluindo sócios)

Luís Viviani - São Paulo

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