Justiça

JBS pagou propina para obter empréstimos no BNDES

Esquema começou em 2005. Segundo Joesley Batista, propina foi paga a Guido Mantega
Guido Mantega, na CPI do BNDES Antonio Araújo / Câmara dos Deputados
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O empresário Joesley Batista, presidente da JBS, contou em seu acordo de colaboração premiada como pagou propina para obter empréstimos milionários no BNDES durante os governos Lula e Dilma. Os mais de R$ 8 bilhões em empréstimos do banco fez com que o faturamento do frigorífico saltasse de R$ 4 bilhões em 2006 para R$ 170 bilhões em 2016.

Em reunião com Guida Mantega, então ministro da Fazenda, ocorrida no final de 2010, o delator conta que indagou se Lula e Dilma sabiam do esquema. Guido confirmou que sim.

Segundo Joesley, havia um ajuste amplo que consistia em direcionar grande parte do dinheiro de propinas oriundas de empréstimos no BNDES para a campanha de Dilma Rousseff, e para os diretórios estaduais do PT. Parte do dinheiro custearia ainda a compra dos partidos da coligação. Conforme o partido fosse fechando as negociatas, orientaria Joesley e Ricardo Saud, diretor da JBS.

O esquema no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social começou em 2005, quando em junho e agosto, a empresa enviou duas cartas-consultas que juntas pleiteavam financiamento de R$ 80 milhões. Na ocasião, o empresário Victor Garcia Sandri, amigo íntimo do então presidente do banco Guido Mantega, pediu 4% do valor de financiamento em troca de facilidades.

O crédito foi aprovado com facilidade e Joesley pagou a propina a Sandri por meio de uma conta offshore. Sandri teria sido intermediador do empresário com Mantega até 2009, quando ele entendeu “já ter proximidade suficiente com Guida Mantega para prescindir da intermediação”. Na primeira reunião, Joesley narra o seguinte diálogo:

Joesley: “chefe, como é que eu acerto?”

Guido Mantega: “fica com você; confio em você”

Joesley: “e o percentual? Com Vic eu tinha um valor certo”

Guido Mantega: “vamos vendo caso a caso”

Em dois casos posteriores, Joesley afiram ter pago propina.

Em dezembro de 2009, o BNDES adquiriu debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de US$ 2 bilhões, para apoio do plano de expansão do ano de 2009. Mantega interveio junto a Luciano Coutinho, inclusive em reuniões para que o negócio saísse. Em contrapartida, Joesley escriturou um crédito de US$ 50 milhões ao ministro e depositou o valor numa offshore no exterior.

O outro negócio, segundo Joesley, foi o de um financiamento de R$ 2 bilhões, em maio de 2011, para a construção da planta de celulose da Eldorado. Guido novamente interveio junto ao presidente do BNDES. A contrapartida foi o depósito de US$ 30 milhões numa conta no exterior. Segundo Joesley, o dinheiro se destinava a Dilma Rousseff.

Kalleo Coura - São Paulo

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