Justiça

Em delação, Funaro falou sobre operadores de Temer

Veja o que o delator afirmou aos investigadores sobre intermediários do presidente
Márcio Falcão
Agência Brasil /José Cruz
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Em sua colaboração premiada, o doleiro Lúcio Funaro também apresentou aos investigadores a relação do que chamou os operadores do presidente Michel Temer.  Leia a seguir:

QUE o COLABORADOR, como grande arrecadador de propina do PMDB,
têm conhecimento de que o PRESIDENTE MICHEL TEMER tem operadores
de propina em diversas áreas. QUE em alguns casos teve conhecimento
direto de operadores de MICHEL TEMER, e em outros casos através do
núcleo político do COLABORADOR. QUE observou com o tempo que em
cada área de atuação, MICHEL TEMER tinha um operador especifico para
minimizar o risco de exposição de suas condutas ilícitas.
QUE fez operações com três operadores de MICHEL TEMER, sendo estes
EDUARDO CUNHA, GEDDEL VIEIRA LIMA e JOSE YUNES, conforme já
relatado em anexos anteriores. QUE no caso de CUNHA, cabe ressaltar que
diversos negócios tinham como sócios nas propinas, além de CUNHA, o
COLABORADOR e HENRIQUE EDUARDO ALVES, o PRESIDENTE
MICHEL TEMER. QUE CUNHA lhe narrava as tratativas e as divisões com
MICHEL TEMER, destacando-se o caso de arrecadação de GABRIEL
CHALITA – o qual o COLABORADRO operacionalizou. Ainda, no caso de
JOSE YUNES e GEDDEL VIEIRA LIMA, destaca-se a operação de remessa
de valores advindos de propina da ODEBRETCH a qual o COLABORADOR
operacionalizou a entrega.
QUE tem conhecimento de outros operadores do PRESIDENTE MICHEL
TEMER principalmente através de relatos de EDUARDO CUNHA e JOESLEY
BATISTA.
QUE não conhecia RODRIGO ROCHA LOURES, mas que esse era o
operador do PRESIDENTE MICHEL TEMER, junto ao Grupo JBS, depois que
GEDDEL deixou de ser ministro. QUE JOESLEY BATISTA foi quem passou
essa informação. QUE GEDDEL e o COLABORADOR eram fortes
arrecadadores de doações e propinas junto a JBS. QUE a estratégia de
negócios de JOESLEY BATISTA envolvia a corrupção de funcionários
públicos e pagamentos de propinas para manter sua influência política e
beneficiar suas empresas.
QUE frequentemente JOESLEY BATISTA e EDUARDO CUNHA comentavam
com o COLABORADOR que WAGNER ROSSI, ex-Ministro da Agricultura,
operava os interesses do PRESIDENTE MICHEL TEMER desde a época do
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PORTO DE SANTOS. QUE WAGNER ROSSI atendia aos interesses de
MICHEL TEMER junto ao GRUPO JBS, que era um dos grandes doadores
de campanha e grande pagador de propina. QUE na época da campanha de
GABRIEL CHALITA, MICHEL TEMER conseguiu que a produtora do filho de
WAGNER ROSSI fosse contratado para produção de material. QUE à época,
o tesoureiro informal da campanha, HUGO FERNANDES NETO, reclamou ao
COLABORADOR que os preços eram mais caros que as outras empresas do
mercado mas que teria que usar essa empresa devido ao vínculo com
MICHEL TEMER. QUE esta contratação foi após WAGNER ROSSI perder o
Ministério e MICHEL TEMER fez esse pedido a candidatos que ele
apadrinhava (SKAFF, CHALITA) para contratassem a produtora como
compensação. QUE esses pagamentos foram feitos de três maneiras;
pagamentos em espécie para Hugo Fernandes Neto, pagamentos de contas
de fornecedores de campanha e doações oficiais.
QUE o vínculo com a campanha de GABRIEL CHALITA era de MICHEL
TEMER, pois EDUARDO CUNHA não tinha interesse na campanha da
PREFEITURA ou de PAULO SKAFF. Que CUNHA pedia que todos os
pagamentos feitos para essas campanha fossem debitados de sua conta
corrente, alegando que posteriormente faria o acerto com MICHEL TEMER.
Que têm conhecimento que o ex-presidente do Porto de Santos e MARCELO
DE AZEREDO, operavam os interesses do PRESIDENTE TEMER, também
junto ao Porto.
QUE JOSE YUNES operava para o PRESIDENTE TEMER, como já relatado
em anexo anterior, sendo que o COLABORADOR foi utilizado para
operacionalizar entregas de valores para políticos do PMDB. QUE acredita
que JOSE YUNES seja o maior operador de MICHEL TEMER, sendo que
frequentemente EDURDO CUNHA que YUNES fazia o branqueamento das
propinas destinadas a MICHEL TEMER através de sua incorporadora
YUNES.
QUE igualmente o CORONEL LIMA era operador do PRESIDENTE TEMER,
atuando junto à empresa estatal ELETRONUCLEAR e as obras da Usina de
Angra. QUE LIMA tem uma empresa com contratos na ELETRONUCLEAR.
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QUE na área política o PRESIDENTE TEMER tinha GABRIEL CHALITA,
como já mencionada de afilhado político e PAULO SKAFF, à época
candidatos à Prefeitura de São Paulo e Governador do Estado.
Que a relação de EDUARDO CUNHA e MICHEL TEMER oscila, dependendo
do momento político. QUE por exemplo na época do impeachment de DILMA
ROUSSEF, eles confabulavam diariamente, tramando a aprovação do
impeachment e consequentemente a assunção de TEMER como
PRESIDENTE.
QUE CUNHA sempre foi o arrecadador e administrador dos valores enquanto
MICHEL TEMER atuava no núcleo político.
QUE em 2014, EDUARDO CUNHA, foi até o escritório do COLABORADOR e
lhe informou que MICHEL TEMER pediu que o COLABORADOR entregasse
em um escritório ligado a DUDA MENDONÇA – que prestava serviços para a
campanha- 500 mil reais em dinheiro para a campanha de PAULO SKAFF.
QUE o COLABORADOR enviou um funcionário seu os valores requisitados
até um endereço na Rua 9 de julho em São Paulo, o qual foram recebidos
por uma mulher no referido endereço. QUE tais valores foram debitados da
conta que o COLABORADOR mantinha com CUNHA, o qual tinha sua
própria compensação interna com MICHEL TEMER. QUE esta entrega foi
realizada pelo funcionário do COLABORADOR chamado JOSE CARLOS
BATISTA.
QUE tais registros se encontram em anotações de cadernos que o
COLABORADOR mantinha.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS
1. Caderno de anotações do COLABORADOR.
2. Recibos das doações oficiais

Márcio Falcão - De Brasília

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