Jazz

‘Feito à Mão’: Novo CD autoral de Dado Magnelli

Saxofonista-flautista toca 11 de suas peças em duo com pianista Rudi Germano
Luiz Orlando Carneiro
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Música instrumental de alma melódica brasileira e corpo harmônico jazzístico? Samba jazz ou jazz samba, em matéria de swing e de ritmo? Tanto faz.

O recém-lançado CD Feito à Mão (Tratore) do duo formado por Dado Magnelli (saxes tenor e soprano, flauta e clarinete) e Rudi Germano (piano) é cativante manufatura musical ao longo de 11 peças, todas compostas por Magnelli e arranjadas, em sua maioria, pelo pianista.

Na apresentação deste seu sexto álbum como líder, gravado em três sessões de abril último, o instrumentista-compositor assim explica o título escolhido para o registro: “Depois de trabalhos em que usei muitos instrumentos, senti vontade de voltar a esse ‘básico’. É como se tudo fosse feito de forma artesanal, sem a ajuda de artifícios eletrônicos”.

E assim comenta a escolha do pianista Rudi Germano como partner único na empreitada: “Ele é um desses grandes músicos brasileiros, que, infelizmente, não tem sua obra registrada em disco. Sua concepção rítmica é ímpar, além dele ter uma forma de encadear os acordes, que é única. É mais difícil tocar em duo, pois se tem menos base e estrutura rítmica e harmônica. Todos os detalhes aparecem claramente e os tropeços não podem ser disfarçados. É uma sensação de estar seminu, mas também muito prazerosa”.

Dado Magnelli, 39 anos, dedicou-se inicialmente à flauta, com ênfase no repertório barroco e clássico. Em 2002, bacharelou-se como saxofonista na Manhattan School of Music, Nova York, tendo como professores os notáveis Steve Slagle (Mingus Big Band, The Carla Bley Band, Joe Lovano) e Dick Oatts (Vanguard Jazz Orchestra).

No CD Feito à Mão, ele prefere a flauta nas peças cujos desenhos rítmico-melódicos remetem ao choro, gênero musical que exige do intérprete virtuosismo, malícia e esperteza: Chuva de verão (3m25), Xamego (2m45), Vovó Vivaldina (3m15) e Abacaxi (3m15). Esta última é esquentada por efeitos vocais e palmas da dupla.

No sax soprano, Dado exibe o seu virtuosismo logo na primeira e mais curta faixa do disco, a saltitante Final feliz(2m15). Mas usa o mesmo tipo de saxofone em duas peças mais lentas e românticas: Saudoso (3m50) e Encontro(3m50).

Já o sax tenor foi por ele muito bem escolhido para a interpretação das “baladas” Bom dia! (4m40) e De corpo e alma(4m05). O clarinete foi reservado para a faixa mais longa do disco, a também meditativa Compositor (5m05), arranjada em colaboração com o pianista Rudi Germano, que sola durante pouco mais de um minuto. Na última peça da seleção, Porcelana (2m55), Dado Magnelli deixa de lado os instrumentos de sopro, senta-se ao piano, lembra a sua formação musical clássica, e mostra a sua intimidade com o teclado.

(Samples do CD Feito à Mão podem ser ouvidos em http://muzoic.org/release/album/dado-magnelli-feito-%C3%A0-m%C3%A3o).

CODA

Vale lembrar que a distribuidora Tratore lançou, meses atrás, um outro excelente álbum de jazz sambado, de mais de 50 minutos, com o duo formado pelo pianista (e arranjador) Michel Freidenson e por Teco Cardoso (flautas e sax ato) interpretando 14 composições de Luiz Millan e Moacyr Zwarg. O CD intitulado Dois por Dois pode ser apreciado no YouTube (www.youtube.com/watch?v=5wexDOY-Tog).

*** Texto publicado originalmente no site do Jornal do Brasil

Luiz Orlando Carneiro - De Brasília

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