Carreira

O dilema do aprimoramento contínuo do bacharel em Direito

Qual é o melhor momento e qual curso e modalidade de pós-graduação se deve cursar?
André Camargo
Pixabay
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Dizem que há algumas coisas na vida que são eternas.  Uma delas é o nosso dever de aprimoramento profissional, ainda mais em um ambiente cada vez mais complexo, incerto, multidisciplinar e competitivo.  Aquele que não se mantiver atualizado, antenado com as tendências e desafios do mercado, ficará cada vez mais alheio às melhores oportunidades.  E no mercado jurídico tal realidade é bastante presente, com histórias de muito sucesso; outras, nem tanto.

Um dos dilemas mais importantes (e, invariavelmente, com efeitos determinantes) na carreira do profissional do Direito, após a conclusão do bacharelado, é saber o melhor momento e qual curso e modalidade de pós-graduação que se deve cursar. Há muita desinformação e oferta indiscriminada de opções, muitas delas desacompanhadas de seus reais diferenciais e de uma genuína preocupação sobre a sua adequação à necessidade do estudante.

Tal decisão,  portanto, não é nada trivial e depende de pelo menos três variáveis:

(a) tenho ou não um planejamento de carreira?

(b) quais investimentos estou disposto a fazer para realizar esse projeto?

(c) com base nas respostas aos itens anteriores, com qual modelo de curso e de instituição de ensino eu mais me identifico?

Trilhar um caminho sem passar pelas referidas indagações é um convite certo para frustrações de parte a parte. A primeira questão é fundamental para qualquer profissional, independentemente da área em que atua e seu momento de carreira.  Traçar objetivos claros e realistas, estabelecer metas de curto e longo prazo e desenhar um cronograma com etapas para o atingimento desses objetivos são passos preliminares fundamentais para o início dessa trajetória.  Identificar os objetivos com base nos “gaps” de formação identificados é o primeiro desafio a ser enfrentado.  Preciso desenvolver quais competências e habilidades?  De quais conhecimentos técnicos eu preciso para avançar em minha carreira?  Moldar uma carreira pressupõe tempo e um projeto bem estruturado, ainda que ajustável em alguma medida.

O passo subsequente é verificar quais restrições existem para se investir nesse projeto.  Todos pensam que dispor de recursos financeiros em quantidade suficiente é o mais importante, mas arriscamos a dizer que há outros tão ou mais relevantes.

Disponho de tempo para estudar?  Consigo me doutrinar para tanto?  Como está hoje a minha vida pessoal, ela está organizada?  Meus stakeholders (familiares, colegas de trabalho etc.) estão a par do meu projeto e me apoiarão?  E o meu custo de oportunidade (o que eu estou deixando de fazer para enfrentar esse projeto) é alto ou é baixo? Enfim, consigo fazer uma verdadeira análise comparativa de custo-benefício?

Posteriormente, é imprescindível que se faça uma investigação profunda sobre a melhor modalidade de curso que atende aos objetivos traçados e aos recursos disponíveis.  Curso de curta duração?  Curso de pós-graduação “lato sensu”?  Ou “stricto sensu” (mestrado acadêmico, mestrado profissional ou doutorado)?  Modalidade presencial, à distância (EaD) ou blended (modelo híbrido)?  Tempo integral, tempo parcial, concentrado, semanal ou outra periodicidade?  Será que conheço as vantagens e desvantagens de cada uma dessas modalidades?  Qual delas melhor atende aos meus objetivos e recursos disponíveis mesmo?

Ato contínuo é a fase mais difícil e certamente a mais importante nesse processo.  Com qual instituição de ensino eu mais me identifico?  É fundamental que se procure saber sobre a missão e os valores da instituição escolhida, sua reputação de mercado e seus traços diferenciadores.  Não basta percorrer sites oficiais e demais materiais publicitários, mas, de fato, conhecer fisicamente a instituição, suas instalações, seus projetos, sua coordenação, seus professores e seus alunos.

Lembrem-se de que estamos falando de um serviço educacional, de um bem intangível e com materialização imprevisível em muitas das vezes, razão pela qual é recomendável sentir “o sabor real” da instituição.  A coerência entre esses pontos é fundamental para se cravar uma escolha.  Quanto menor for a assimetria informacional, melhor será o processo de escolha.

Enfim, é certo que vamos ter que estudar e nos aprimorar eternamente.  Mercado demanda em razão da crescente complexidade dos desafios que se apresentam.  Quais “armas” você dispõe para essa inevitável “batalha”?  Os vencedores serão aqueles mais bem preparados, mais bem equipados, prontos para trazer soluções adequadas, eficientes e sustentáveis, mesclando multi e interdisciplinaridade em seu processo analítico.  O profissional do Direito precisa ser visto como “investimento”, não como custo.  Aprimorar-se continuamente deve fazer parte do planejamento de carreira de todos nós. E contem com o Insper nesse importante desafio!

André Camargo - Professor de Relações Jurídicas com Consumidores no curso LL.C. em Direito Empresarial do Insper e Coordenador Acadêmico dos cursos do Insper Direito

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