Advocacia

Times multidisciplinares e de maior qualidade prevalecem

Avaliação é de Maurício Novaes e Anna Mello, do Trench Rossi Watanabe
Anna Mello, do Comitê de Administração do Trench Rossi Watanabe Divulgação
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Há um potencial de mercado para advogados muito grande e que está ocioso por causa da redução das transações e do momento econômico. A avaliação é de Maurício Novaes, CEO, e Anna Mello, membro do Comitê de Administração do escritório Trench Rossi Watanabe.

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“É em situações como essa que vemos a criatividade dos profissionais ao se reinventarem e criarem novas oportunidades, com foco em inovação e na gestão de recursos”, afirmam os advogados. 

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Segundo os dois, num cenário de extrema competição, times multidisciplinares e mais completos tendem a prevalecer. “E é aqui que nós nos posicionamos junto aos clientes”, afirmam.

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Além disso, ambos enxergam que 2017 trará oportunidade para as áreas de recuperação judicial, societário, tributário e bancário.

Maurício Novaes, CEO do Trench Rossi Watanabe

Maurício Novaes, CEO do Trench Rossi Watanabe


“Até obtermos a confiança dos investidores internacionais novamente, teremos que lidar com o potencial de negócios represados, logo, entendemos que haverá bastante trabalho nas áreas de Contenciosos e Compliance”, dizem.

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Os profissionais apostam também: na Lei das Estatais, no Código de Mineração, no Marco Civil da Internet, no Programa Crescer e na implementação de uma agenda de transparência, com a popularização de programas de conformidade, qualidade e difusão de informação.

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Leia a íntegra da avaliação dos advogados sobre o ano de 2016 e as perspectivas para 2017:

Quais áreas registraram crescimento e garantiram faturamento em 2016?
Apesar de um ano economicamente tímido, o escritório teve um crescimento expressivo e conseguimos lidar bem com as dificuldades e desafios. O crescimento se mede com diferentes réguas dentro do escritório – como volume de transações, número de advogados, produtividade, entre outros parâmetros – e considerando o faturamento especificamente, tivemos um resultado que se faz ainda mais surpreendente se considerarmos a instabilidade política e econômica do país. Apesar de um ano sabidamente complicado, as áreas de compliance e investigações corporativas, direito bancário (com destaque para nossa atuação em fintechs), direito público, concorrencial, trabalhista e contencioso registraram crescimento expressivo. Com o retorno das atividades do CARF, nossa área tributária voltou a ver o volume de trabalho ascender também. Nesse ano, registramos um crescimento superior a 30%, em comparação com o ano anterior, que também já havia sido um ano de bons resultados.

Quais áreas tiveram retração em 2016?
Todas as áreas registraram crescimento, em maior ou menor grau. Podemos dizer que 2016 foi um ano de bastante trabalho e resultado surpreendente para nós.

Os dois movimentos surpreenderam o escritório ou os avanços e recuos eram esperados nestas áreas?
Dado o momento de incerteza política e a redução na arrecadação e na atividade econômica do país, ficamos positivamente surpresos com um crescimento que foi além da nossa expectativa. Mesmo um momento de crise pode ser tornar uma oportunidade e é isso que podemos depreender do nosso resultado – com o aumento de contenciosos cíveis, trabalhistas, tributários, ou mesmo de reestruturações e financiamento de projetos.

Quais as grandes vitórias da banca em 2016? E quais as derrotas mais sentidas?
Nesse ano, podemos destacar vitórias com grande visibilidade, como a suspensão do bloqueio do aplicativo de conversas instantâneas, o acordo da Embraer, a consolidação e amadurecimento da Lava Jato, algumas decisões inéditas em litígios relevantes, nossa atuação na criação dos parâmetros do ISO em compliance, nossa atuação na Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas e nos grandes eventos da área ambiental – foram muitos os casos de relevância. Outro destaque este ano, para nós, foi o nosso reposicionamento de mercado, com o redesenho da nossa marca e a consolidação de nossa posição entre as maiores bancas do país.

Como um desafio, podemos mencionar as naturais dores de crescimento pelas quais todas as bancas que alcançam um certo nível de maturidade passam, como a saída de talentos que optam por seguir um caminho diferente, de aprofundamento e especialização distante do modelo full service – um movimento pelo qual passamos recentemente e que ainda assim, nos trouxe a oportunidade de adiantar as promoções de novos sócios, reconhecendo talentos formados no escritório e ainda assim mantermos nossa posição de liderança da prática no Brasil. E é natural viver essa dinâmica de renovação – é nessa base que o mercado de serviços legais moderno foi construído.

Qual a maior frustração de 2016?
É fato que há um potencial de mercado muito grande e que está ocioso devido à redução das transações e pelo momento econômico – mas é em situações como essa que vemos a criatividade dos profissionais ao se reinventarem e criarem novas oportunidades, com foco em inovação e na gestão de recursos. É frustrante ver a economia tão parada, por outro lado é gratificante ver o mercado utilizar o momento como trampolim para dias melhores.

O que esperavam que aconteceria este ano que na prática não se concretizou?
Esperávamos por uma melhora na economia, advinda da percepção dos investidores e do mercado internacional, com as mudanças na gestão do país. Porém, esse movimento ainda não se concretizou. Esperamos que em 2017 a comunidade internacional volte a depositar sua confiança em nossa economia e potencial de crescimento.

O escritório aposta em quais áreas para crescer em 2017?
Até obtermos a confiança dos investidores internacionais novamente, teremos que lidar com o potencial de negócios represados, logo, entendemos que haverá bastante trabalho nas áreas de contenciosos e compliance. Na arena de reestruturações, vemos oportunidade para as áreas de recuperação judicial, societário, tributário e bancário.

Quais as perspectivas para o mercado de advocacia para 2017 em um contexto de tanta instabilidade política e econômica?
Entendemos que nosso diferencial competitivo reside em parte em nosso acordo de cooperação com Baker McKenzie – o que nos permite ajudar empresas a se internacionalizarem, falando o nosso idioma durante todo o caminho. Esta é uma habilidade que tem interessado bastante às empresas brasileiras que optaram pela criação de estruturas e operações internacionais.

A atuação da Justiça em relação a empresas, como visto na Lava Jato e na Zelotes, abre espaço para um trabalho diferenciado de advogado?
Sim, abre, e aqui acreditamos que temos um papel fundamental na hora de auxiliar nossos clientes a navegar tais complexidades. Nós os apoiamos com times multidisciplinares na abordagem dos mais diversos desafios – tanto em prevenção, quanto na remediação. Nessa ocasião, o time mais completo e de maior qualidade irá prevalecer – e é aqui que nós nos posicionamos junto aos clientes.

Qual as perspectivas do escritório sobre o Judiciário em 2017?
Acreditamos na informatização e modernização de processos. Entendemos que a inovação deve chegar às bancas e ao Judiciário, de maneira mais prática – como pelo uso da inteligência artificial, ou pela unificação e gestão de base de dados, como o cruzamento de informações, entre outros assuntos.

Se 2016 foi o ano da lei anticorrupção, que lei será o destaque no ano que vem?
Ocuparão destaque na agenda das empresas: a Lei das Estatais, o Código de Mineração, o Marco Civil da Internet, o Programa Crescer e a implementação de uma agenda de transparência, com a popularização de programas de conformidade, qualidade e difusão de informação.

Raio-x do escritório
Crescimento: superior a 30%
Número de sócios: 56
Número de advogados: 250

Luís Viviani - São Paulo

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