Advocacia

Escritórios apostam em criação de “áreas de governo”

Para Madrona Advogados, há uma demanda crescente nas relações público-privadas
Sócios do Madrona Advogados (esq. para dir.): Danilo Mininel, Milena Mazzini Coimbra, José Luis Camargo Jr., Marcelo Cosac, Juliano Rotoli Okawa, Ricardo Madrona, João Carlos Toledo (alto), Rosane Menezes Lohbauer, Igor Nascimento de Souza. Divulgação
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Para os sócios do escritório Madrona Advogados, a crise fiscal tirou a capacidade dos governos federal e estaduais de proverem os serviços e infraestrutura adequados ao crescimento do país, levando ao aumento da terceirização e privatização.

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Desse modo, dizem que “estamos vivenciando a criação das ‘áreas de governo’ nos escritórios, justamente para atender a esta demanda crescente nas relações público-privadas”.

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As apostas para 2017 se dão nas áreas de infraestrutura, regulatório e compliance.

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“Também apostamos na retomada da área de mercado de capitais e financiamento, assim como na manutenção do crescimento das áreas de M&A, tributário, contencioso cível e arbitragem”, avaliam.

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No âmbito tributário, a aposta é no novo programa de pagamento de débitos instituído pelo Governo Federal. “Representa uma oportunidade ímpar de regularização das dívidas pelas empresas e deverá gerar muitas oportunidades de trabalhos para o escritório com a análise dos contenciosos existentes e a adequação dos contribuintes ao programa”.

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Leia a íntegra da avaliação dos advogados sobre o ano de 2016 e as perspectivas para 2017:

Quais áreas registraram crescimento e garantiram faturamento em 2016?
O ano de 2016 foi de muitas incertezas, algumas expectativas e poucos resultados. Apesar disso, o Madrona Advogados superou sua meta de crescimento, inicialmente projetada para 15%, tendo chegado ao percentual de 40%, se comparado a 2015.

A área de M&A teve maior expressividade, com a maioria dos trabalhos concentrados no middle market, mas sem ter deixado de atuar em operações de valores expressivos, tendo conseguido, também nesses casos, manter a proximidade com o cliente, registro da nossa atuação.

A área tributária também cresceu de forma exponencial, inclusive com a chegada do novo sócio, Igor Nascimento de Souza. Os processos de repatriação ganharam destaque especial no segundo semestre de 2016.

As áreas do contencioso cível, recuperação judicial e regulatório, especialmente de energia, contribuíram para o crescimento do escritório em faturamento e exposição.

Quais áreas tiveram retração em 2016?
A área de mercado de capitais sofreu bastante com a crise econômica do País, tendo demonstrado mais movimento no segundo semestre de 2016. Ainda assim, o escritório trabalhou em emissões importantes como a oferta pública de CRI da Helbor, a constituição do FIDC Patrimonial da Trademaster e a oferta pública de $100 MM de debêntures da Even. Acreditamos na retomada da área já nesse ano de 2017.

Os dois movimentos surpreenderam o escritório ou os avanços e recuos eram esperados nestas áreas?
Especialmente com a crise político-econômica vivenciada mais fortemente no início de 2016, o ano começou com muita apreensão em todas as áreas. O crescimento apontado de 40% e o grande movimento nas operações de M&A, áreas regulatória e tributária surpreenderam os sócios, superando as expectativas inicialmente projetadas.

Quais as grandes vitórias da banca em 2016? E quais as derrotas mais sentidas?
Como vitória apontamos a consolidação da marca e posição no mercado jurídico brasileiro. Com menos de 2 anos de existência, o Madrona Advogados está ranqueado nas grandes publicações nacionais e internacionais, sendo sistematicamente citado como um dos grandes escritórios de advocacia do Brasil. Crescemos em tamanho e em exposição, culminando agora no mês de janeiro de 2017 na mudança para a nova sede, com espaço físico bastante superior à atual.

Nosso maior desafio está na conquista dos clientes estrangeiros que ainda buscam as bancas mais antigas e com grande histórico no país. Apesar da vasta experiência dos sócios do Madrona, pregressos de grandes escritórios brasileiros, o cliente estrangeiro ainda busca bancas mais tradicionais, especialmente os grandes bancos e fundos de investimento.

Qual a maior frustração de 2016?
O fato dos escândalos de corrupção não terem se resolvido em 2016 e estarem se arrastando por mais um ano. Impactaram os negócios e afastaram a atuação dos grandes players em novos investimentos no Brasil.

O que esperavam que aconteceria este ano que na prática não se concretizou?
Os projetos de infraestrutura não decolaram. Não obstante a mudança do governo e as medidas regulatórias adotadas para atrair investimento, o setor de infraestrutura foi alvo de pouquíssimos projetos.

O escritório aposta em quais áreas para crescer em 2017?
Apostamos muito na área de infraestrutura, regulatório e compliance. O governo federal e os estaduais, especialmente pela crise fiscal vivenciada, não têm mais capacidade para prover os serviços e infraestrutura adequada ao desenvolvimento e crescimento do país. Acreditamos que a terceirização e privatização sejam as únicas saídas possíveis no momento. Nesse sentido, acreditamos que será uma área com muito trabalho em 2017 e 2018. Estamos vivenciando a criação das “áreas de governo” nos escritórios, justamente para atender essa demanda crescente nas relações público-privadas.

Também apostamos na retomada da área de mercado de capitais e financiamento, assim como na manutenção do crescimento das áreas de M&A, tributário, contencioso cível e arbitragem.

Quais as perspectivas para o mercado de advocacia para 2017 em um contexto de tanta instabilidade política e econômica?
Continuamos acreditando no crescimento e formação das grandes bancas, seja por crescimento orgânico ou incorporação de sócios laterais e mesmo operações de fusões entre escritório de médio e pequeno porte. O investidor estrangeiro está olhando e deve vir ao Brasil. Esse investidor precisa de um escritório com capacidade para atendê-lo em todas as áreas de negócio.

No outro oposto, acreditamos no espaço das boutiques especializadas, focadas em determinadas áreas do direito.

A atuação da Justiça em relação a empresas, como visto na Lava Jato e na Zelotes, abre espaço para um trabalho diferenciado de advogado?
Sim. Exatamente a área de governo mencionada acima. Com o Estado ficando menor, nasce a necessidade de entender as relações contratuais e jurídicas com o setor público, desconhecidas em sua grande maioria pelo empresariado brasileiro.

Qual as perspectivas do escritório sobre o Judiciário em 2017?
Acreditamos que será um ano ainda mais difícil e atribulado para o Poder Judiciário, não apenas nas questões de grande repercussão como as operações envolvendo corrupção, mas também em razão do aumento de litígios decorrentes do cenário de crise econômica. Exemplo disso são as informações sobre recuperações judiciais distribuídas em 2016 que impressionam não apenas pelo número de casos em si, mas pelo valor do endividamento e número de credores.

Não bastasse o aumento de volume de processos decorrentes da crise, o próprio Judiciário é afetado diretamente em razão da revisão e cortes orçamentários, o que impacta na capacidade de manutenção e desenvolvimento do órgão.

Em que pese toda adversidade, acreditamos que o Judiciário continuará a trabalhar no resgate da sua credibilidade perante a sociedade brasileira, havendo, portanto, oportunidade de fortalecimento da imagem institucional. 

Se 2016 foi o ano da lei anticorrupção, que lei será o destaque no ano que vem?
A nosso ver este ano será um ano de organização interna das empresas, com oportunidades para novos investimentos e continuidade do fortalecimento das regras de governança e compliance. As privatizações que estão sendo anunciadas devem desencadear um crescimento do mercado de capitais nacional e, o atendimento e adequação às suas regras, deverá gerar um grande número de consultas de clientes.

No âmbito tributário, o novo programa de pagamento de débitos instituído pelo governo federal representa uma oportunidade ímpar de regularização das dívidas pelas empresas e deverá gerar muitas oportunidades de trabalhos para o escritório com a análise dos contenciosos existentes e a adequação dos contribuintes ao programa.

Raio-x do escritório
Crescimento: 40%
Número de Sócios: 9 sócios
Número de Advogados: 79 profissionais do direito (60 advogados)

Luís Viviani - São Paulo

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