Docs

Delcídio: PMDB e PT eram sócios em propina de Belo Monte

Depoimento foi ao TSE nas ações de cassação de Dilma/Temer. Leia a íntegra das declarações
Redação JOTA
Aa Aa

Em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral nas ações que pedem a cassação da chapa Dilma/Temer, o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) afirmou que PT e PMDB dividiram propina desviada da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, sendo que neste esquema o  PMDB era um sócio majoritário.

Delator da Lava Jato, o ex-congressista afirmou que a propina negociada era inicialmente de R$ 45 milhões, mas chegou a R$ 142 milhões, mas não soube precisar a divisão entre os partidos.

“Nesse caso de Belo Monte inegavelmente [havia de fato uma sociedade na propina envolvendo
PT e PMDB], e, nos outros casos, na verdade, eram capitanias hereditárias, que se conversavam, mas que tinham voo próprio e se negavam, em outras áreas”, disse.

“Eu não sei dizer ao senhor, mas o PMDB teve uma… teve uma… uma… um papel muito importante, porque o ministro de Estado era do PMDB, é… é…, e o PMDB, especialmente do Senado, teve uma ação forte e o PT também. O PT é… é… teve uma participação como… de certa maneira, eles trabalharam como sócios dentro desses processos. Agora, percentualmente, quanto ficou pra cada um eu não sei. Agora, nesse caso específico, eu acho que o PMDB prevaleceu sobre o PT, pelas informações que eu tenho”, completou.

O ex-petista afirmou que os ex-ministros Erenice Guerra e Antonio Palocci, do PT e que ocuparam a Casa Civil, e Silas Rondeau, do PMDB, tinham papel de protagonismo no esquema.

Delcídio disse que não acreditava que a campanha presidencial de Dilma em 2014 tenha recebido doações com recursos do esquema da Petrobras.

“O total negociado com.., com… de Belo Monte foi R$ 142 milhões. Agora, no que diz respeito à campanha presidencial, eu não sei dimensionar, eu não era o tesoureiro da campanha, não fui que fiz os entendimentos, mas que, efetivamente, R$ 142 milhões é dinheiro em qualquer lugar do mundo, né? Claro que isso foi dividido pelas campanhas – não só a campanha presidencial, mas também as campanhas de governadores, especialmente dos dois partidos, do PMDB e do PT. ”

Ele disse ainda que o rateio das vantagens indevidas da usina parecia uma salada de fruta. ” É um mix. Parte via doações oficiais, parte é… é pros candidatos. Eu não elimino a hipótese de Caixa Dois também, é bem possível que tenha acontecido. É uma espécie assim de salada de frutas, né? Ou seja, tem participação, tem pra todos os gostos. Tem doação oficial, tem Caixa Dois, são várias alternativas. Não acredito que os 142 – milhões tenham ido especificamente só pra uma campanha. Não, isso aí foi distribuído. ”

Delcídio disse ainda que a ex-presidente Dilma Rousseff tinha conhecimento dos esquemas.

Ex-presidente da Transpetro e considerado afilhado político do PMDB no Senado, Sergio Machado também não confirmou pedido de propina para a campanha de 2014.

Em relação ao presidente Michel Temer, ele reiterou sua delação, afirmando que o peemedebista pediu recursos para a campanha do então candidato a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita, em 2012.

“Na campanha de 2012, o presidente Michel Temer tinha um candidato a prefeito de São Paulo, chamado Gabriel Chalita. E o Gabriel Chalita estava com muita dificuldade de subir – e quando você tá com dificuldade de subir, você perde os apoiadores e perde os financiadores. Eu fui procurado pelo presidente do partido, se poderia dar uma colaboração. Marquei uma reunião com o Presidente Michel Temer no aeroporto e acertei com ele de contribuir para essa campanha de prefeito, via o diretório nacional; com R$1,5 milhão”.

 

Depoimentos de Delcídio do Amaral e Sérgio Machado no TSE na -aije-1943-58-vol-18

Redação JOTA - De Brasília

Aa Aa
COMENTÁRIOS

Comentários