Advocacia

Crise fez demandas aumentarem, mas reduziu honorários

JOTA publica série sobre o balanço dos escritórios em 2016 e as expectativas para o novo ano
viseu-2
Sócios do escritório Viseu Advogados Divulgação
Aa Aa

O JOTA abre, nesta terça-feira (10/01), uma série de matérias sobre o balanço dos escritórios em 2016 e as expectativas para 2017.

No ano passado, segundo a avaliação do Viseu Advogados, em função da crise econômica e do cenário político, os clientes aumentaram a demanda por serviços, mas, ao mesmo tempo, reduziram os valores pagos por eles.

“Tal fato acarretou a diminuição dos honorários e consequentemente a redução da margem — que era maior em anos anteriores”, disseram os sócios do escritório.

No entanto, a banca acredita que surgirão oportunidades nas áreas de negócios “como aumento de operações de fusões e aquisições e também em restruturação de empresas”.

Além disso, os sócios acreditam que muitas leis surgirão na área fiscal.

“Deve acontecer uma segunda fase da repatriação de bens no exterior e novos pacotes fiscais. Possivelmente, haverá um incremento de demanda na área de Tributário”.

Leia as respostas dos sócios do escritório:

Quais áreas registraram crescimento e garantiram faturamento em 2016?
De um modo geral todas as áreas foram bem demandadas. Normalmente, as crises geram demanda para o setor jurídico. Mas a área de maior destaque foi a de Recuperação Judicial seguida pelo Contencioso Trabalhista, Cível e Consumidor.

Quais áreas tiveram retração em 2016?
Devido a retração do mercado imobiliário como um todo, essa área do escritório também foi afetada. Em contrapartida, a área soube aproveitar novos nichos de serviço como, por exemplo, o trabalho de diagnóstico e regularização de patrimônio imobiliário de indústrias.

Os dois movimentos surpreenderam o escritório ou os avanços e recuos eram esperados?
Esses movimentos eram esperados. Havíamos preparado o escritório para atender uma maior demanda de contencioso e também prevíamos uma queda de demanda no setor imobiliário, uma vez que neste segmento a crise já vinha acontecendo em anos anteriores.

Quais as grandes vitórias da banca em 2016? E quais as derrotas mais sentidas?
O escritório mostrou-se bem competitivo na conquista de novos clientes. Consideramos estas conquistas a nossa maior vitória de 2016. Foi um ano em que as grandes empresas passaram a abrir concorrências em busca de novas opções de serviços jurídicos no mercado e, neste sentido, apresentamos uma combinação excelente de experiência e custos o que nos permitiu ampliar a carteira de clientes nacionais, internacionais e de vários setores. Não identificamos uma derrota de fato relevante.

Qual a maior frustração de 2016?
Em função da crise econômica e do cenário político, nossos clientes aumentaram a demanda por serviços, porém reduziram os valores de compra do serviço. Tal fato acarretou a diminuição dos honorários e consequentemente a redução da margem — que era maior em anos anteriores. A crise trouxe aumento de volume, mas redução de margem.

O que esperavam que aconteceria este ano que na prática não se concretizou?
Na verdade, como dissemos, o ano seguiu como havíamos previsto.

O escritório aposta em quais áreas para crescer em 2017?Acreditamos que surgirão oportunidades nas áreas de negócios como aumento de operações de fusões e aquisições e também em restruturação de empresas.

Quais as perspectivas para o mercado de advocacia para 2017 em um contexto de tanta instabilidade política e econômica?
No ano de 2017 deve continuar o aumento pela demanda de contencioso, o estrangulamento de margem e muita competitividade em função das demandas trazidas pela crise.

A atuação da Justiça em relação a companhias, como visto na Lava Jato e na Zelotes, abre espaço para um trabalho diferenciado de advogado? Qual as perspectivas do escritório sobre o Judiciário em 2017?
Sim. A atuação eficaz do judiciário nesta direção deve incentivar as empresas a criarem mecanismos mais eficientes de governança corporativa. E consequentemente deve impulsionar a procura por uma assessoria preventiva por parte das empresas no tema de criminal compliance que é uma área extremamente importante aqui no nosso escritório.

Se 2016 foi o ano da lei anticorrupção, que lei será o destaque no ano que vem?
Em termos de legislação, apostamos que muitas leis surgirão na área fiscal. Deve acontecer uma segunda fase da repatriação de bens no exterior e novos pacotes fiscais. Possivelmente, haverá um incremento de demanda na área de Tributário.

Raio-x do escritório

  •         Crescimento: 30%
  •         Número de Sócios: 12 sócios em 2016
  •         Número de Advogados100 advogados em 2016

Luís Viviani - São Paulo

Aa Aa
COMENTÁRIOS

Comentários